domingo, 27 de junho de 2010

%EDUCAÇÃO&PSICOLOGIA% _Drogas Ilícitas: Cocaína


==> Os seres humanos habituaram-se a usar as folhas de coca desde tempos muito remotos.
Vejamos dois exemplos que ocupam pólos extremos de uma gama de produtos que o mercado e seu mercadores - os narcotraficantes - oferecem aos compradores que consomem cocaína em todo o mundo.
1. Uma análise nutricional de 100g de folhas de coca revela que elas contêm 305 calorias, 19g de proteínas e 42.6g de carboidratos, além de quantidades importantes de ferro, cálcio, fósforo e vitaminas A1, B2 e E.
Os alcalóides, combinações de ecgoninas, tropeínas e higrinas, representam entre 0.25 e 2.25% do peso de cada folha, mas o principal deles, e o único ao qual realmente foi dada atenção, é a cocaína, cuja fórmula química é
2- beta-carbometoxi-3beta-benzoxitropano, ou esterbenzoil de metilecgonina.
==>Trata-se de um propano, quimicamente relacionado, do ponto de vista estrutural, com outras substâncias psicoativas como a atropina e a escopolamina.
==> As folhas de coca são mastigadas com um ritmo monótono, denominado coqueo. Cerca de 18 a 20 minutos depois da mastigação os princípios ativo s chegam ao cérebro.

==>O crack é uma cocaína altamente intensificada e impura. Pode ser fumado e chega ao cérebro em 6 a 8 segundos.
Entre estes dois casos extremos encontramos a pasta básica de cocaína, que também pode ser fumada misturada com fumo ou maconha. Essa variedade, comum de ser encontrada nos países produtores de coca e em seus vizinhos, é mais barata e impura. Costuma conter 36% de sulfato de cocaína. O resto é amoníaco, ácido sulfúrico, querosene etc.
==> Por sua vez, a free base, ou cocaína de base livre, é uma variante purificada, que pode também ser fumada. Resulta do processamento do cloridrato de cocaína com éter e também chega ao cérebro em 6 a 8 segundos após ser fumada.
O cloridrato de cocaína começa sua ação sobre o sistema nervoso central (SNC) 3 minutos depois de inalado e 14 segundos depois de ser injetado por via intravenosa. A via intramuscular na prática não ocorre.

==> É necessário considerar que raramente observa-se consumidores de cocaína como droga única. A norma é a politoxicomania e as combinações com fumo, álcool, cafeína, maconha, ansiolíticos, são as mais comuns em nosso meio. É freqüente nos USA e na Europa encontrar-se a combinação com os opiáceos: sobem com a cocaína e baixam com a heroína, prática denominada speed boiling.
Face ao panorama de um vício gerador de um negócio de bilhões de dólares todo ano e que, de acordo com comentaristas do mundo econômico-financeiro, ocupa o segundo lugar entre os grandes negócios da humanidade, perdendo somente para o armamentismo, a medicina tem se debatido num mundo de pesquisas e descobertas sobre as conseqüências que essas práticas psicotóxicas trazem ao ser humano. Hoje é até uma importante bandeira eleitoral dos candidatos, servindo aos interesses políticos em todo o mundo.

==> EFEITOS DA COCAÍNA NA UNIDADE CORPO/CÉREBRO/MENTE
NEUROIMAGENS
O mapeamento cerebral (brain mapping) realizado com instrumentos de última geração e adaptado ao uso psiquiátrico, diferentemente do mapeamento padronizado da neurologia e neurocirurgia, já há muito tempo difundido em nosso meio, permite de forma imediata, investigar funcionalmente o cérebro e registrar, por exemplo, zonas de irritação, possíveis focos, umbral convulsivo, danos vasculares e função cognitiva.
-> Quando, por exemplo, suspeita-se, com base na história clínica (anamnese) colhida do paciente, da existência de fenômenos paroxísiticos (ictafins) noturnos, indica-se um Holter, ou seja, um eletroencefalograma prolongado que registre a atividade bioelétrica cerebral durante uma noite inteira.
==> Quando se pensa na possibilidade da existência de alguma lesão estrutural do cérebro(vasculites, infartos cerebrais, hemorragias subaracnóides e alterações no fluxo sangüíneo cerebral em usuários que abusam da cocaína),seja pela investigação clínico-psiquiátrica ou por surgir a dúvida com base no mapeamento cerebral, recorre-se, como norma, à "Tomografia Computadorizada" (CAT scanning) simples e com contraste, ou, à "Ressonância Magnética Nuclear".
O caminho para a destruição do tecido nervoso que o abuso no consumo de cocaína acarreta, torna-se muito mais grave quando, além disso, há evidências do uso abusivo e simultâneo de álcool, fumo, maconha ou outros tóxicos e quando coexistem alguns quadros psiquiátricos como as esquizofrenias, estados maníaco-depressivos, epilepsias etc.
Em síntese, essas são as conseqüências do dano vascular produzido pela ação vasoconstritora da cocaína. Descobriu-se também alguns casos de atrofia cerebral em pessoas jovens, o que nos leva a intensificar a detecção precoce de que, posteriormente e continuando o consumo, transformar-se-á em dano irreparável.
Acrescente-se que a vigilância clínica dos indicadores biológicos da arteriosclerose tem importância fundamental, principalmente nos consumidores com mais de 30 anos de idade, pois, a correlação entre vasoconstrição e arteriosclerose é potencialmente grave. Isso os predispõem ao desenvolvimento de trombos, enquanto o aumento da massa miocárdica ocasiona um fluxo coronariano decrescente e demanda de oxigênio aumentada.

OBS ==> A possibilidade de adulteração da cocaína por substâncias estranhas é muito freqüente e também pode causar danos vasculares. Outra causa que se deve avaliar e que talvez muitas vezes se soma às descritas é o potente efeito vasoconstritor da serotonina na circulação cerebral, em particular nas artérias de tamanho médio e grande. Essa pode ser a causa das enxaquecas freqüentes descritas pelos cocainômanos.
OBS. ==> Casos estudados sob estrito controle da abstinência de cocaína, e nos quais os SPECTs de acompanhamento realizados seis meses depois, demonstraram que as lesões continuavam irreversíveis. Foram casos de pessoas com idade média de 32 anos e que consumiram 2 ou mais gramas diários durante 6 a 8 anos.

==> Alterações neuroquímicas e sua correlação mental
A cocaína bloqueia, em níveis pré-sinápticos, a recaptura das catecolaminas dopamina e noradrenalina, como já se sabe há alguns anos. Recentemente a isso acrescentou-se que o mesmo ocorre com a serotonina, que é uma indolamina.
Desta maneira ela possibilita a oferta de um excesso de neurotransmissores no espaço inter-sináptico à disposição dos receptores pós-sinápticos, fato biológico cuja correlação psicológica é uma sensação de magnificência, euforia, prazer, excitação sexual.Para isto, a cocaína, vai destruindo ou, talvez, queimando os receptores pós-sinápticos.Quando imaginamos que ocorrem cerca de trilhões de trocas neuroquímicas por minuto fica evidente que o preço pago para viver uma experiência de euforia é alto demais em relação às conseqüências que o indivíduo terá de encarar. Na falta de termo melhor, especialistas propuseram a expressão "prazer espúrio" ao efeito das drogas tóxicas.
Neste estágio, a droga produz estados paranóides que podem chegar a níveis psicóticos e depressões graves, levando ao suicídio. Não havendo recaptura, não há alívio, e todos os neurotransmissores acabam sendo destruídos pela ação de diferentes mecanismos enzimáticos e de outros tipos, ou vão atuar sobre outros receptores, que desencadeiam uma reação conhecida pelo nome de kindling; ela se manifesta por um sem-número de reações, muitas das quais conhecidas como neurovegetativas, como o aumento da temperatura, sudorese, taquipnéia etc.
Também com repercussões cardíacas, como a taquicardia, crise hipertensiva, infarto do miocárdio etc. e, as hepáticas, em especial, quando a droga é consumida com álcool.
Por estes motivos, parafraseando Freud, também chamamos o consumo de drogas tóxicas de "o porvir de uma desilusão".
Entre os fenômenos complicadores temos o efeito anorexígeno, resultante da ação da cocaína sobre o hipotálamo, que limita a ingestão de alimentos. Isso é mais grave nos consumidores que abusam, mas não têm recursos financeiros. Estes preferem comprar cocaína à comida, pois sofrem mal-estar insuportável e esperam ilusoriamente encontrar na cocaína o paraíso desejado que um dia conheceram e que depois não mais conseguem reencontrar e, mantendo o consumo da cocaína até à morte.
==> Paradoxalmente a morte por overdose constitui para o toxicômano a conquista da paz. Lembremos o título significativo de um livro do especialista francês Claude Olievenstein: "Não existem drogados felizes".
Essa trágica confusão remete ao estado psicótico a que chegam e no qual confundem paz com morte, enquanto acreditam buscar o prazer e uma capacidade vital onipotente.
São postos em atividade os circuitos dos centros de recompensa do prazer no cérebro e a busca incessante dessas sensações, sem que o poder de aprendizagem sobre a impossibilidade de perpetuá-los possa ser alcançado. Para tanto, cria-se um tipo especial de vício (leia-se escravidão) que se manifesta por angústia, depressão, violência etc.
Altera-se gradualmente o ciclo sono/vigília e o sonhar, fato que tem relação, por um lado, com o funcionamento dos neurotransmissores citados, e, por outro, com o bloqueio dos centros nervosos correspondentes.
O círculo vicioso aumenta e se complica com o recorrer do cocainômano a substâncias usadas para tentar dormir e que também são viciantes, como os ansiolíticos e o álcool. As reações provocam modificações nos mecanismos da fase REM (rapid eye movement, movimento ocular rápido) do sono normal; também se anulam as ondas delta, ou seja, a terceira e a quarta fases do sono lento (slow wave sleep), os estimulantes do hormônio do crescimento (growth hormone) e, como conseqüência a imunidade.
==> Consumir cocaína é aceitar um "pacto com o diabo", no estilo que celebrou o Dr. Fausto com Mefistófelis, tal como descreveu Goethe, o que implica um compromisso para toda a vida.

==> CORRELAÇÕES ENTRE COCAÍNA E ÁLCOOL
As experiências dos consumidores abusivos das drogas psiconeurotóxicas alertaram sobre as importantes correlações existentes não apenas entre a cocaína e o álcool, mas também com o fumo de tabaco, os opiáceos, as anfetaminas, a maconha etc.
Em qualquer lugar a associação entre cocaína e álcool é a norma. O cocainômano necessita do álcool para "relaxar", descontrair do ponto de vista muscular, ou para "baixar", leia-se diminuir a excitação gerada pala cocaína.
Diversos autores assinalaram a existência de uma zona comum que recompensa o vício em diferentes drogas e indica o núcleo acuminato como o lugar no sistema límbico, e a dopamina e os receptores dopaminérgicos (DA2) como as vias responsáveis por essa reação prazerosa, que colocaria em jogo a partir de diferentes gatilhos químicos. Além disso, sustentam a existência de toxicomanias cruzadas entre essas drogas.
==>Há pouco tempo a bibliografia mundial começou a apresentar estudos que correlacionam o álcool com os opiáceos e a probabilidade de uma influência comum do consumidor.
O álcool que ingerimos transforma-se, em nossos cérebros, numa substância equivalente aos opiáceos. São as tetra-hidroisoquinolinas (TIQs). Como conseqüência as bases neuroquímicas do alcoolismo e a toxicomania por opiáceos seriam similares.
Além disso, reiteramos que a existência de toxicomanias cruzadas endossa essa afirmação.
Nesses processos a dopamina tem papel central. Assim vejamos:
1. No cérebro, o neurotransmissor dopamina converte-se primeiro em dopamina aldeído e finalmente em ácido homovanílico.
2. A conversão final é efetuada por um enzima natural chamado acetaldeído desidrogenase.
3. Quando se consome álcool, primeiro ele se converte em acetaldeído e finalmente em dióxido de carbono e água. A conversão final também é efetuada pelo enzima acetaldeído desidrogenase.
4. Isso quer dizer que a dopamina aldeído, naturalmente presente no neurônio compete com o acetaldeído, derivado do álcool, pelo enzima acetaldeído desidrogenase disponível.
5. O acetaldeído, contudo, sofre maior atração pelo enzima que a dopamina aldeído. Como resultado maior quantidade de acetaldeído reage ao enzima e ele é destruído. Essa reação deixa um excesso de dopamina aldeído no cérebro.
6. O excesso de dopamina aldeído pode combinar com moléculas dopamínicas não convertidas, produzindo um alcalóide de nome tetra-hidroparaverolina (THP). Este THP parece-se muito com a matéria-prima a partir da qual a papoula produz morfina.
Posteriormente começou-se a reconhecer o significado da serotonina nesses processos. Deu-se apoio bioquímico para o ponto de vista de que álcool e os opiáceos compartilham um mecanismo em comum com os outros dois experimentos. Foi demonstrado que a administração prolongada de morfina em animais incrementava a síntese do neurotransmissor serotonina, o que havia sido implicado na conduta do consumo do álcool.

Fonte/pesquisas: Internet
Imagens: Internet

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