sábado, 26 de junho de 2010

%EDUCAÇÃO&PSICOLOGIA% _ ESTRESSE: Texto Técnico sobre a Relação de tipos psicológicos com sintomas físicos e psicológicos


JUSTIFICATIVA DA PESQUISA SOBRE ESTRESSE:
Se pararmos para olhar a nossa volta, os prédios, os computadores, a Internet, os carros, os elevadores, o controle remoto, entre muitas outras invenções do homem, só podemos concluir um coisa: O ACUMULO DE CONHECIMENTO CIENTÍFICO PROPORCIONOU, PROPORCIONA E PROPORCIONARÁ OS AVANÇOS TECNOLÓGICOS.
O estresse constitui um assunto cada vez mais inserido dentro de nossa sociedade, sendo estudado por diversos campos da ciência, entre elas a Psicologia vêem trazendo suas contribuição acerca de prevenção de estressores e categorizações de sintomas físicos e psicológicos, bem como propondo metodologias para avaliação, psicodiagnóstico e tratamento deste e de outros fenômeno, neste sentido, interessado pelo paradigma de ferramentas de avaliação psicológica aplicadas e relacionadas ao evento que chamamos de estresse.
Neste sentido, o dicionário Aurélio (2006) inicia significativamente nossas reflexões: “(...) Conjunto de reações do organismo a agressões de ordem física, psíquica, infecciosa, e outras, capazes de pertur
bar-lhe a homeostase.”
Aparentemente a definição acima que considera e reconhece o estresse como “reações do organismo” parte do pré – suposto de que há estimulação (seja de ordem física, psicológica, infecciosa, e outras) que desencadeia tais reações. Neste sentido, a definição do Aurélio já nos permite acreditar que há a possibilidade de criar-se ferramentas que mensure e / ou categorize o estresse de duas maneiras:
A) Estimulação que desencadeia o evento “estresse” e
B) Reações do organismo que são desencadeada por estimulação anterior ao estresse.

==> Segundo Thomaz (2001), Thomaz (2005) e Alencar (2005), a exposição a alterações ambientais aversivas, crônicas, incontroláveis e variáveis como, no nosso dia – a – dia, a exposição a condições como trânsito, mudanças climáticas, poluição sonora, visual, química, incontrolabilidade de horários de alimentação, falta de dinheiro e tempo, rebaixar notas na escola, pressões e exigências de emprego, filas de bancos, bibliotecas e outras instituições podem ser contingências facilitadoras para o desencadeamento de diversas reações estressantes do nosso organismo.

==> Lipp (2002), uma das mais reconhecidas Psicólogas nos estudos do estresse enquanto objeto de estudo inserido na Psicologia Cognitivo – Comportamental vêem se esforçando junto a comunidade científica da psicologia para criação de métodos que permitam categorizar o estresse a partir de sua sintomatologia, com isso permitindo que este seja passível de intervenções e avaliações psicológicas, neste caminho, trouxe grandes contribuições a tal ciência.
Para elaboração de seu questionário / inventário, LIPP (2002) parte da idéia de que o estresse pode ser categorizado e identificado via sintomatologia física e psicológica em diferentes níveis, sendo passíveis de identificação, observação e análise a depender de:
A) Freqüência em que ocorrem / aparecem determinados sintomas;
B) Presença de Sintomas de ordem física e / ou psicológica e
C): Relação de sintomas freqüentemente presentes relacionados entre si.
==>Fases do stresse:
1) Fase de Alerta: nesta fase o indivíduo comporta-se para adaptar-se ao momento estressor. Há presença de elevado índice de dopamina, adrenalina e outros sistemas fisiológicos que acionam o organismo para reagir.
2) Fase de Resistência: nesta fase a elevação do cortisol que ataca o sistema imunológico pode ser identificada, uma vez que o sujeito fica sensível a aquisição de doenças derivadas de vírus e bactérias.
3) Fase Quase Exaustiva: nesta fase , é comum a presença de gastrites, geralmente de fundo emocional, enxaquecas e doenças dermatológicas como forma de reação do organismo ao estresse.
4) Fase Exaustiva: nesta, classificada como ultima fase e mais perigosa do estresse, além de já ter passado pelo sofrimento das reações anteriores, o indivíduo ganha sérios comprometimentos em sua vida particular, emocional, sexual e familiar podendo chegar a ataques cardíacos e problemas de pressão.
OBS. ==> Embora Lipp (2002) concorde que a presença do psicólogo seja de grande importância na avaliação e tratamento das 4 fases do estresse, a partir da 3º fase (Quase exaustão) é imprescindível o acompanhamento médico para intervir nas questões fisiológicas, químicas e biológicas do organismo, uma vez que encontram-se maior freqüência e presença de sintomas físicos.

==>Alinhado ao Dicionário, a Enciclopédia Larousse Cultural (1998) aponta como estresse a seguinte definição:
“(...) agressão do organismo em sua totalidade, podendo ameaçar sua existência, por agentes de qualquer natureza (emoção, eventos climáticos, choques, etc.). Um conjunto de respostas fisiológicas, metabólicas e comportamentais a essa agressão. No estresse, o organismo responde por mecanismos de defesa específicos como imunitários e anti – infecciosos e por reações gerais não especificadas. Fisiologistas colocam em evidência a importância das reações da córtex da suprenal (descarga de adrenalina) e hipofisária na resposta do estresse.”
A definição acima vai de encontro com alguns sintomas identificados por Lipp (2002) no seguinte sentido: quando mencionam a “descarga de adrenalina”, correspondente aparentemente a fase de alerta, o “conjunto de respostas fisiológicas” a fase de resistência, as “defesas específicas emunitária e anti – infecciosas” a fase de resistência e fase de Exaustão e por fim, a “agressão do organismo” a fase de exaustão”.

OBS. ==> Há diversas semelhanças nas definições presentes e disponíveis em enciclopédias e dicionários para com a definição de Lipp, porém esta reorganizou estes aspectos dando ao estresse um caráter peculiar que nos permite avaliá-lo mediante Inventário como instrumento psicológico.
Preocupados e interessados com os esforços de pesquisadores da psicologia sobre o evento que chamamos de estresse, os alunos deste trabalho pretendem através de pesquisa validar um Inventário que através da coleta de dados sintomatológicos físicos e psicológicos apoiados a literatura disponível propiciem dados e subsídios que apóiem uma avaliação psicológica para posteriormente co – relacionar junto a tipos psicológicos identificados e levantados via aplicação de QUATI – Questionário Tipológico de JUNG, com intuito de contribuir com reflexões e intervenções baseadas no levantamento destes dados.

==>CONTRIBUIÇÕES DA PSICOLOGIA ANALÍTICA:
Jung (1991) concebe o psiquismo (consciente e inconsciente) como um sistema energético relativamente fechado, possuidor de um potencial que permanece o mesmo em quantidade através de suas múltiplas manifestações, durante toda a vida de cada indivíduo. Isso significa que, se a energia psíquica abandona um de seus investimentos, irá reaparecer sob outra forma. No sistema psíquico a quantidade de energia é constante, varia apenas sua distribuição.
As orientações de konichi (2006) parecem ir de encontro o pensamento de Jung (1991) quando aponta que:
“Todos os fenômenos psíquicos são de natureza energética. Podemos dividir o psiquismo em duas porções: a do consciente e a do inconsciente.
A Psicologia, como ciência, relaciona-se num primeiro plano com a consciência; a seguir ela trata do que chamamos psique inconsciente, que não pode ser diretamente explorada por estar a um nível desconhecido, ao qual não temos acesso. O único meio que dispomos, nesse caso, é tratar os produtos conscientes de uma realidade, que supomos terem se originado no campo inconsciente. Tudo o que conhecemos a respeito do inconsciente nos foi transmitido pelo próprio consciente. A psique inconsciente, cuja natureza é completamente desconhecida, sempre se exprime através de elementos conscientes e em termos de consciência. A consciência, segundo Jung a vê, é como uma superfície ou uma película cobrindo a vasta área inconsciente, cuja extensão é desconhecida. O consciente está estreitamente ligado ao ego. Podemos considerá-lo como uma superfície cujos limites são dados por uma circunferência. Tal superfície seria o campo da consciência. Ela teria, por centro, o ego.”
Aparentemente, podemos considerar que o ego é o ponto de referência de tudo que faz parte do campo da consciência. Apresenta-se como o sujeito a que é apresentado tudo o que integra a consciência; cada um dos elementos desse “tudo” se apresenta ao ego, como um objeto.
==> Konichi dá continuidade a introdução desta abordagem recorrendo a comparações junto a teoria Freudiana:
“Diferentemente de Freud, que concebe o inconsciente como derivado do consciente, Jung vê o inconsciente como um elemento inicial, do qual brotaria a condição consciente. Ficamos cansados depois de um prolongado estado consciente, pois trata-se de uma condição que demanda um esforço violento, quase que anti-natural a consciência é, sobretudo, o produto da percepção e orientação no mundo externo.
De certo modo, podemos dizer que nossa consciência acaba onde terminam nossos conhecimentos das coisas exteriores a nós. Por exemplo, para uma pessoa que sempre viveu no interior de um país qualquer, sua consciência pode findar no ponto em que chegam conhecimentos rudimentares sobre o trabalho no campo, mudança das estações, trato primitivo com os animais. Já para o indivíduo que habita uma metrópole, ela poderia abarcar muito mais, como o que as indústrias modernas oferecem: Tvs, carros, aviões supersônicos, etc. Esses conhecimentos, tanto num caso como no outro, são passíveis de serem ampliados; sempre é possível que novas coisas exteriores passem a se apresentar a nosso ego. Nesse exemplo, o interiorano pode mudar-se para a cidade, o que o levará a tomar contato com mil coisas que até então desconhecia; ao indivíduo da metrópole, a cada dia mil coisas novas podem ser comunicadas".
==>Parece que a consciência do lado exterior, portanto, é sempre capaz de aumentar. De outro lado, a consciência está limitada pelo nosso desconhecimento das coisas que existem em nosso psiquismo, sendo porém, estranhas a ela. Portanto, nossa consciência termina onde começa nosso inconsciente. A área do inconsciente é imensa e sempre contínua, enquanto que a área da consciência é um campo restrito de visão momentânea.
==>Jung (1991) afirma que o ego vai se formando à medida que o indivíduo cresce - primeiramente por uma percepção geral de nosso corpo e existência, isto é, tudo o que entra no campo de nossa consciência tendo se originado em nosso próprio corpo e que nós percebemos (base somática e psíquica) e, posteriormente, pelos registros de memória. Mais tarde, continuará a se desenvolver a partir das relações que irá fazendo tanto com o mundo exterior, como com o mundo interior, chegando a conclusão que: “A consciência é dotada de um certo número de funções que a orienta no mundo dos fatos ectopsíquicos e endopsíquicos” JUNG (1991)

OBS ==> Conhecendo o tipo psicológico do indivíduo podemos prever como esse indivíduo irá agir em determinadas situações. Podemos então fazer Orientação Vocacional, Organizacional, remanejar pessoas, montar equipes de trabalho, Grupos Operativos, Treinamento, Escolar, uma vez que cada tipo aprende de uma maneira, enfim, justifica-se a categorização de tipos psicológicos em intervenções psicológicas.
TIPOS PSICOLÓGICOS:
Jung (1913) em Conferência no congresso psicanalítico de Munique definiu além dos tipos citados anteriormente as seguintes definições, consideradas novas na abordagem da Psicologia Analítica:
“Chamei de Introversão e Extroversão duas direções opostas da libido. Nos casos mórbidos, em que idéias delirantes ou inspiradas na emotividade, ficções ou interpretações fantásticas adulterem no paciente o juízo de valores sobre os objetos e sobre si mesmos(...) falamos de extroversão sempre que o indivíduo volta o seu interesse no mundo externo, dando-lhe valor extraordinário.(...) já quando o homem se torna o centro do seu próprio corpo, trata-se da introversão.” Pg. 462 de JUNG (1991)
Neste sentido, além da categorização das funções ectopsique e endopsique, Jung propõe ainda a diferenciação dos sujeitos como seres INTROVERTIDOS ou EXTROVERTIDOS.
Jung (1991) e Konichi (2006) concordam com a divisão da tipologia Junguiana, conforme citamos anteriormente. Para melhor compreensão dos tipos, separamos didaticamente da maneira a seguir:
1)_ Pensamento: na sua forma mais simples, o pensamento exprime o que uma coisa é, ou seja, é a função que nos permite conhecer o que uma coisa é; dá nome a essa coisa e vincula-a a outras coisas (conceito), pois pensar é perceber e julgar. O pensamento está relacionado com a verdade, com julgamentos derivados de critérios lógicos, impessoais e objetivos. A consistência e princípios abstratos são altamente valorizados. Os tipos reflexivos (indivíduos que tem a função pensamento predominante) são os maiores planejadores; no entanto, tendem a se agarrar a seus planos e teorias ainda que sejam confrontados com evidências novas e contraditórias. O indivíduo com Pensamento predominante toma decisões com base nos valores universais. É lógico e objetivo
2)_ Sensação: a função dos sentidos, ou seja, a soma total de minhas percepções de fatos externos, vindas até mim por meio dos sentidos. A sensação me diz que alguma coisa é; não exprime o que é, nem qualquer outra particularidade da coisa em questão. É mais próxima do corpo. Trabalha com partes; baseia-se no concreto, nos 5 sentidos. Fazem parte desta categoria as pessoas que vivem o aqui - agora, que estão concentradas no presente. O tipo sensação é indicado para atividades práticas, objetivas, trabalhos com instrumentos (ex: cirurgia), atividades repetitivas. Ele tem a técnica, a rotina. O sensação repete, reproduz, é disciplinado.
3)_ Sentimento: O sentimento nos informa sobre o valor das coisas. Ele nos diz, por exemplo, se uma coisa é aceitável, se ela nos agrada ou não, se é feia ou bonita. Jung o considera, como o pensamento, uma função racional; é um juízo de valores. Todo homem que pensa está absolutamente convencido de que o sentimento jamais poderá ser enquadrado entre as coisas da razão; para eles, o sentimento é totalmente irracional. Aquele que é perfeito em seus pensamentos jamais o será quanto aos sentimentos em função da própria impossibilidade de realizar as duas coisas simultaneamente: uma pospõe a outra. (Não esquecer que sentimento não é emoção, que é outro tipo de energia. Ex: ódio = emoção).
4)_ Intuição: embora parta dos 5 sentidos, não presta atenção neles. Está preocupado com o que vai acontecer. Pensa em termos de futuro. Trabalha com o todo. A intuição é a função pela qual se antevê o que se passa depois da esquina - coisa que habitualmente não é possível. É uma função que normalmente fica inativa se vivemos trancados entre quatro paredes, numa vidinha de rotina. As pessoas expostas a condições naturais têm que se valer constantemente da intuição, assim como aqueles que se arriscam num campo desconhecido e os que são pioneiros em qualquer empreendimento. Sempre que se tiver que lidar com condições para as quais não haverá valores preestabelecidos ou conceitos já prontos, esta função será o único guia. A intuição é um tipo de percepção que não passa exatamente pelos sentidos, registra-se ao nível do inconsciente. Eventualmente o seu afloramento adquire características de revelação, mas é um fator dos mais naturais, dos mais normais e necessários, pois nos coloca em contato com o que não podemos perceber, pensar ou sentir, devido a uma falta de manifestação concreta. O intuitivo é criativo; é bom para lidar com o novo; não gosta de situações de pura reprodução e de disciplina marcada.

==> Quanto ao critério de Introversão x Extroversão, Konichi (2006) concorda com JUNG 91991) no sentido que os Introvertidos teriam sua energia seguindo de forma mais natural em direção ao seu mundo interno, enquanto que os Extrovertidos têm sua energia mais focalizada no mundo externo. Isso significa dizer que não há introvertido ou extrovertido puro, mas que cada indivíduo tende a favorecer uma ou outra atitude e funciona principalmente em termos desta atitude. Algumas vezes a introversão é mais apropriada, em outras, a extroversão . Ambas são excludentes; não se pode manter as duas ao mesmo tempo. O ideal é ser flexível e capaz de adotar qualquer uma dessas atitudes quando for apropriado.


BIBLIOGRAFIA PARA PESQUISA:
_ ALCHIERI, João Carlos, CRUZ, Roberto Moraes. Avaliação Psicológica: Conceito, métodos e instrumentos. São Paulo, SP, Casa do Psicólogo, 2004.
_ AURÉLIO. Dicionário Básico da Língua Portuguesa. Editora Nova Fronteira 2006 - SP
_ JUNG, C.G , Obras completas de Jung. volume IV: Tipos Psicológicos. Editora Vozes, 1991
_ JUNG, C.G, Obras completas de Jung. Volume XVII: Desenvolvimento da Personalidade. Editora Vozes, 5º edição, 1991.
_ LIPP, M.N. Manual do Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp (ISSL), São Paulo, Casa do Psicólogo, 2002.
_ LABES, Emerson Moisés. Questionário: Do planejamento à aplicação na pesquisa . Editora Grifos . 1998
_ THOMAZ, C.R.C (2002). O efeito da submissão ao Chronic Mild Stress (CMS) sobre o valor reforçador do estímulo. São Paulo. Dissertação de mestrado em Psicologia Experimental – PUC/SP.
_ THOMAZ, C.R.C (2005). O efeito da submissão a estressores crônicos e moderados. São Paulo. Editora PUC SP

autor: Eduardo Alencar Tadeu da Silva (Psicólogo).
Imagens : Internet

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