sábado, 26 de junho de 2010

%EDUCAÇÃO&PSICOLOGIA% _ Psicoterapia em grupo: uma saída para a depressão


A psicoterapia de grupo oferece grande suporte aos quadros de depressão/tristeza, reiterando que o relacionamento entre seres humanos que sofrem contribui para que o espelhamento, isto é, “a ação terapêutica do grupo que se processa através da possibilidade de cada um se mirar e se refletir nos outros e, especialmente, de poder reconhecer no espelho dos outros aspectos seu que estão negados em si próprios” (1997, p.21), sirvam como guia para uma saída do adoecimento. Citação de Osório e Zimerman.
O quadro depressivo neurótico que é manifesto através de uma grande desmotivação e esvaziamento de sentido na vida encontra suporte num grupo, pois a oportunidade de ouvir e se identificar com o sofrimento humano, através do jogo de espelhos que o grupo oportuniza, amplia a possibilidade de percepção e reavaliação dos conceitos significativos da própria vida. Através do amor que passa a experimentar como somente uma mãe compreensiva, ou alguém nessa função pode oferecer, o deprimido sai do seu lugar de ameaçado, de rejeitado, daquele que não tem forças para vencer a hostilidade do mundo.
Num grupo as falas vão surgindo e despertando no outro pensamentos, emoções e outras falas que se coadunam em busca de uma solução que amenize sofrimentos que há anos vêm levando os sujeitos a agirem de modo impensado e repetitivo.
O paciente passa atuar na relação com o terapeuta e com o grupo atualizando suas vivências e experenciando maneiras outras de solucionar antigas queixas. Abdicando do queixume cotidiano, em nome da possibilidade de transformar sua dor em questionamentos que apontem saídas amplas para o viver.
A trama imaginária ultrapassa o ideário individual e encontra seu porto na simbolização sustentada na relação grupal. Toda vez que o sujeito transfere uma vivência primeva e transforma esse viver numa nova posição. Encontrando no grupo, através da relação identificatória, meios de re-significar sua história, ele passa a ser autor de si mesmo, ao menos em alguns episódios.
O grupo, então, é lugar privilegiado para a busca de encontros que permitem uma transformação, pois desperta o amor que acalenta, protege e aceita o outro como ele é. “A psicanálise não oferece a cura como barganha para o sofrimento. A troca é do sofrimento (ou excesso de gozo) do sintoma, que já não satisfaz, pela “miséria banal” para empregar um termo de Freud. Mas, amar e trabalhar, já dão, muito trabalho para os que apostam na vida”. (1997, p.100), Figueiredo.
Concluindo então, é por buscar ser amado, evitar a rejeição, sentir-se valorizado afetivamente, ser completo com um outro, que o ser humano constitui-se como tal, mas também adoece, por ir de encontro a um amor que espera vir do outro. Numa eterna batalha que só reflete um lado da diversidade da vida. Freud sempre apontou o amor como saída para a cura das doenças. “Lado a lado com as exigências da vida, o amor é o grande educador, e é pelo amor daqueles que se encontram mais próximos dele que o ser humano incompleto é induzido a respeitar os ditames da necessidade...” (1980, 352)

Referência Bibliográfica para pesquisas:
_ Figueiredo, A.C – Vastas Confusões e Atendimentos Imperfeitos – a clinica psicanalítica no ambulatório público – Rio de Janeiro, Relume Dumará, 1997
_ Freud, S. - Obras Completas, Vol XIV, Rio de Janeiro, Imago Editora LTDA, 1980
_ Minayo, M.C.S – O Desafio do Conhecimento – Pesquisa Qualitativa em Saúde –, São Paulo-Rio de Janeiro, HUCITEC-ABRASCO, 1992
_ Osório, L.C e Zimerman, D. E. e colaboradores - Como Trabalhamos com Grupos Porto Alegre, Artmed, 1997


Autora: Cláudia Aparecida dos Santos Alcântara (Psicóloga)
Imagens: Internet

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