
No princípio, Deus criou o céu e a terra. Ora, a terra estava sem forma e vazia, e as trevas cobriam o abismo, e um “ruah” de Deus pairava sobre a superfície das águas. (Gênesis 1,1-2).Refletindo sobre o acima escrito, tracei um sugestivo parâmetro com a minha caminhada para a vida espiritual e missionária. Não me esqueço, o quanto eu parecia estar sem forma e vazia antes de acontecer aquilo que considero a profunda e libertadora experiência de Cristo em minha vida. Não que em minha vida não houvesse acontecido o prêmio de viver diferentes alegrias, não que não existissem conquistas materiais, prazerosos objetivos profissionais e alguns queridos amigos. O fato que aqui destaco, é que depois da dita experiência, tudo em mim passou a ser vivido com muito mais contentamento, muito mais determinação, e muito mais sentido.Confesso, na juventude questionei veementemente a existência de Deus. Duvidei de tudo que li sobre Deus, inconformada com a história da raça humana repleta de crueldades e de injustiças. Entre revoltada e angustiada eu questionava: Onde estava Deus nestes momentos? Enfim, seria Deus nada mais que uma invenção do ser humano, para explicar o desconhecido e assim controlar os desejos e perversões inerentes as imperfeições dos homens e das mulheres da terra?Presa em um mundo pluricultural e plurireligioso, muitos caminhos percorri. Caminhei por longos anos buscando as minhas respostas. Pesquisei a presença de Deus em inúmeras religiões, ouvi atentamente as pregações limitadas ou brilhantes de homens e mulheres de várias denominações cristãs, freqüentei palestras, seminários e cursos que tratavam sobre a questão da fé, e discorriam sobre as mensagens de Deus nas Escrituras Sagradas, entretanto, não foi dessa maneira racional e intelectual, que a minha experiência com Jesus se concretizou.
A vida é cheia de surpresas, algumas vezes agradáveis, outras vezes amargas e desesperadoras. Cotidianamente precisamos dar conta do nosso aprendizado existencial e espiritual. E foi assim, que estava escrito para mim. Tropeçando e caindo muitas vezes no pântano das mágoas e dos ressentimentos, ouvi um dia o meu inequívoco chamado espiritual. Eu me sentia só e excluída, as ilusões acabaram, a solidão e o silencio eram a minha única realidade. Então o Pai me socorreu, e pude sentir Sua presença mansa e consoladora em meu confuso e adoecido coração.Sim, apenas no pior e mais duro ano da minha vida, eu reencontrei Jesus. A vida me dobrou, mergulhei no poço escuro da dor, e aí aconteceu a minha inenarrável e solitária experiência com Deus. Não nego que o fundo do poço esteve bem próximo. Eu me sentia inerte. Morta como um galho seco de uma árvore qualquer. As trevas da solidão cobriam minha alma. A vida não tinha mais sentido. Meus entes queridos haviam partido. Eles se foram sem dizer adeus...todos.Então, no máximo da dor e do abandono existencial, misericordiosamente pude ser tocada pelo milagre da esperança e da fé em Cristo. A vida não ficou mais fácil, mas eu queria vencer todos os obstáculos. Dia-após-dia, ela me colocava frente a frente, com novas decepções e frustrações mas em mim brilhava a luz da esperança. Muitas provas precisei vencer para galgar o patamar da sabedoria espiritual, onde recebi o premio da fé, e um novo sentido para a minha existência.Aqui testemunho. Nos meus momentos mais difíceis, nos meus momentos silenciosos e solitários, nos meus momentos profundamente dolorosos, fui inevitavelmente encaminhada para o Mestre Jesus. Desta experiência revigorante e curativa, adveio enfim, a tão procurada resposta, a tão esperada compreensão, a minha justa libertação.O momento em que iniciei a minha experiência com Deus é sempre renovado no tempo presente. A depressiva dor faz tempo que se foi, mas a graça recebida é permanente. Eis porque, sempre testemunho com alegria este maravilhoso evento. Jesus é um encontro notável, que gratuitamente nos trata, nos cura e nos salva!
Com convicção posso afirmar. Deus tem o próprio tempo. De nada adianta chafurdar no lodo das lamentações, das acusações, das revoltas ou dos ressentimentos. O Pai não trabalha em prol do nosso conforto, dos nossos bens materiais, do nosso sucesso profissional ou das nossas conquistas afetivas, mas sim do nosso caráter. O Senhor está comprometido com a santificação da nossa vida, e não com as facilidades e benefícios que sem qualquer merecimento constantemente pedimos a Ele.
A vida é sempre uma série de problemas: Ou a gente está vivendo um agora, ou está saindo de um ou estamos nos preparando para enfrentar outro. Deus nos deu os dons que necessitamos para sermos razoavelmente felizes, mas o real propósito da nossa breve passagem pela vida é crescermos em caráter, à semelhança de Jesus.Depois do meu encontro pessoal com Jesus, percebi que sou uma criatura de Deus, sou “terra” de Deus, pessoa renascida na fé, que lamentavelmente no pretérito vivia em certo sentido, “sem forma” e “vazia”, aprisionada em uma existência mecânica e nada frutífera.Há hoje, outra direção em minha vida, estou consciente de que o “ruah” de Deus, o “vento” de Deus soprou misericordiosamente sobre mim. Estou impregnada deste Espírito de Cristo, sinto os leves impulsos da alma me direcionando para realizar o Bem onde for preciso. Tenho a mente em Cristo, sou filha de Deus guiada pelo Espírito de Deus. E é sentindo este leve toque do sopro divino, que vou construindo a minha escolha espiritual e a minha dedicação missionária.O trabalho missionário é o meu campo ideal para a expansão do Evangelho, nele venho praticando uma metáfora utilizada pelo bem aventurado apóstolo. Não devemos deixar “apagar em nós o Espírito”. Assim sendo, entendo claramente a minha responsabilidade ao semear determinadamente o Bem, e dele cuidar para que floresça harmoniosamente no coração de cada ser humano.
RHYSHY ATMA
imagens: Internet
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