De certo modo todos nós conhecemos aquela sensação de que falta algo para trazer plenitude a nossa existência. Há em nós um estranho sentimento de incompletude...angústia...perenidade...morte...
Viver é estar suspenso por cordões invisíveis, à espera de poder se afirmar...soltar... e sentir enfim um grande alívio quando as coisas parecem ter dado certo...
Confesso, algumas vezes senti muito medo...impotência...decepção...raiva...foi como se me faltasse uma longa expiração...talvez semelhante ao processo da morte. Em outros momentos entretanto, fui capaz de relaxar...deixei os apelos do mundo...flutuei a ponto de me sentir serena...em paz...totalmente segura em meu já conhecido mundo interior.
Pois é...entre tantos altos e baixos também fui capaz de criar...produzir...empreender para o futuro sem olhar para o abismo...bater de frente com qualquer desafio sem tremer ou temer a morte.
Falando assim, pode até parecer que meu desejo de completude ainda seja algo beirando a ficção...um delírio visionário...a tola utopia pessoal de uma sessentona ainda produtiva e em nada solitária.
Enfim, por aí afora, foi o tempo escorrendo miudo e linear do começo ... do meio...e do inevitável fim que um dia irá chegar...
Hoje quero sossegar... afinal, não preciso mais me esforçar para ir atrás de nada...tudo e todos que cuidei já estão no pretérito...e os que seguem rumo ao futuro também se distanciaram desse instável presente, onde grandes transformações espirituais continuam ocorrendo em minha inquieta existência.
Já pensei, mas isso foi outrora, que meu envelhecer seria diferente...Todos, parentes, amigos , e eu, poderíamos ser capazes de nos entregar aos laços da nossa ternura...ser prodigamente afetados pelo afeto e nos sentirmos completos, como bons parceiros de uma missão cumprida com um final feliz... sem nunca precisar dizer adeus.
Porém, nunca foi desse modo...se poderia ser diferente ou se estava escrito não sei? O adeus veio de pessoa em pessoa, fazendo parte inequívoca da minha breve história humana.
Faz tempo que me cheguei a Deus e, do meu jeito, fui desfrutando da Sua companhia. Sei que as pessoas são orientadas para as rotas estabelecidas por Deus. Longe das garras do mal, elas se movem inconscientemente, dia-após-dia, e sempre de acordo com a determinação do Criador desde o começo dos tempos. O que sai errado na vida da gente, tem muito das nossas imperfeições, equívocos...pecados.
De modo geral, é através do sofrimento ou do racional, que aprendemos a ter mais profundidade espiritual e menos dependência com as coisas do mundo. Não duvido mais, temos todos um Único e Verdadeiro Guia Espiritual, permanentemente atento, misericordioso, e desejoso de ser convocado para nos ajudar.
Na jornada da vida, conforme comecei a sofrer, vi logo que as coisas não seriam fáceis para mim...ao longo do caminho eu arrastava aquela pesada sensação de falta...de privação com sua angústia estável, que continuamente obstruia as minhas tentativas de paz e felicidade...Ah! Senhor, só tu sabes quantas vezes tentei acertar...e quantas fracassei! É...Já vi de quase tudo neste velho mundo...nascimento, miséria, maldade, doença, morte...MILAGRES!
A humanidade sempre foi uma história de amor entre Deus e o ser humano...Mas a desumanidade do ser humano tem sido desde a sua criação a visível causa do "choro no coração" de Deus. Somos criaturas orgulhosas, egoístas, preconceituosas e prepotentes, quase sempre nos achamos os "donos da verdade". De fato, não temos sido para Deus os bons filhos que gostariamos de ter em nossa família...
Somos seres perenes, frágeis e transitórios. Dói viver...dói o tempo pra se morrer, e depois...após um sutil expirar, quem morre descansa...adentra suavemente num sono profundo, onde finalmente, desaparece para à paz eterna.
Jovens ou velhos somos humanos tolos! Sofremos tanto por tantos e afinal vamos ter que aceitar a nossa própria incompletude...impotência na transitoriedade existencial e, a morte daqueles que amamos incondicionalmente. Esse é o ponto sobre o qual nunca iremos vencer a vida...o tempo de transitar e ver tudo se acabar.
Na juventude não se percebe o fim ...um ilustre desconhecido extremo...sem parâmetros no próprio tempo de se estar jovem e preso ao extâse hormonal e social do princípio do prazer.
Estar diante do processo de morte é uma vivência de entrega sofrida, para os que puderam envelhecer, para os que adoeceram...onde soltar-se é uma experiência tão desconhecida quanto a de se desejar por toda uma vida ser de algum modo completo e satisfeito.
Sentir-se preso a este angustiante sentimento de incompletude não é algo desconhecido da raça humana. Somos todos mortais. Os cultos, os desinformados, os religiosos, os ricos, os pobres, os jovens ou os idosos, em algum momento sentem falta de algo quase imperceptível, algo que é humano, que transcende o intelecto...esse sentimento sutil de que algo nos falta...só tem um alívio, Deus!
Já passei por diferentes provas...a vida material não foi suficiente, por isso saí em busca de algo mais espiritual. Algo que ainda me faltava tocar além dos afetos, decepções e conquistas já vividas. Foi nesse momento que mergulhei na História de Deus...
Apesar de ser a mesma questionadora de sempre...vivencio a Palavra . Tenho consciência que a batalha em prol do meu crescimento espiritual apenas começou. Preciso aprender muito mais, anseio por responder aos meus constantes questionamentos e ser transformada por Jesus.
Sim. Eu creio que só a verdade libertará as dúvidas e inquietações da minha alma (Jó 8:32) e só assim poderei adorar verdadeiramente em espírito ao ser Espiritual de Deus. A Palavra diz que Deus é um Espírito, e que apenas minha parte espiritual no nível de verdade em que se encontra, será capaz de apreender, compreender, apreciar e louvar sinceramente o Senhor Deus. Fluindo dentro de mim transborda esse inegavel chamado para estar em harmoniosa sintonia com o Pai Celestial. Quero adorar ao meu Senhor Jesus, e conhecer profundamente o Deus que adoro!
Fiz um pacto com o Todo Poderoso. Entrei em contato com Ele e decidi mudar mais do que um estilo de vida, dei um novo sentido a minha sofrida existência. Estar em sintonia com o Altíssimo, tornou-me um ser humano melhor.
Ando me distanciando estratégicamente, das pessoas e situações que desnecessariamente provocam dores e danos ao meu existir. Estou me fortalecendo no exercício do desvínculo e na fé no Senhor Jesus.
Não quero mais me desesperar para chegar a algum lugar, quando já admito que não há mais lugar nenhum para ir além da fé que me sustenta.
Entendi,que o sofrimento vindo do mundo não é algo que podemos compreender com um raciocínio lógico, isto é, por meio de conceitualizações. Por isso, talvez, nem sempre seja possível evitá-lo ainda que reconhecendo sua real existência.
Ter uma mente satisfeita não é simples como a nossa própria respiração. Enquanto seres incompletos, nossa insatisfação em si nunca pode se tornar satisfação, assim como a tristeza não se transforma naturalmente em felicidade. Aqui, torna-se claro, a necessidade de importantes aprendizados.
Enfim, se refletirmos com humildade sobre a nossa perenidade, aprenderemos a discernir sobre as ilusões do mundo e, a verdadeira razão acerca da nossa milagrosa existência. Deus nos criou para em nosso coração habitar. O Senhor nos equipou com todos os recursos para O descobrirmos em nós. O Pai pode se revelar á todos os seus filhos, Ele se comunica continuamente conosco, ainda que não sejamos capazes de discernir Sua voz, em todos os segundos da nossa existência.
"Não sabeis que sois vós santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?" _ I Co 3:16
RHYSHY ATMA
imagens: Internet
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