
Venho observando, (seja nos estudos realizados no curso de Teologia ou em diversos encontros e palestras que já participei sobre a importância do movimento ecumênico no mundo), que quando se reúne pessoas desta ou daquela religião para falar sobre a importância do ecumenismo, certas reações são comuns.
Aqui vamos levar em conta, a de contentamento pela representativa existência de indivíduos que estão acordando para a compreensão dessa necessidade; enfim, essa é uma reação natural nas pessoas que se dão ao trabalho de ouvir falar e dialogar sobre esse palpitante assunto.
Nota-se evidentemente,que pessoas esclarecidas percebem a urgente importância do tema e em geral estão interessadas em aprimorar o seu continuo processo de seguir conscientemente a sua natureza espiritual. Entretanto , é possível um outro tipo de reação, que acontece mais quando pessoas desinformadas são apanhadas de surpresa. Nessa situação, há pessoas que perguntam (ou pensam, sem coragem de falar): Ecumenismo, isso existe mesmo? E pode ser legal? Não será conversa simpática para nos atrair para outra religião? Será que isso é coisa de Deus? Será que a nossa religião poderia aprovar? Como se faz? Por que deveríamos fazer essa abertura?
Nem todas as pessoas entendem claramente, que por serem verdadeiramente seguidoras de Deus, possuem vários e excelentes motivos para cultivar uma postura ecumênica.
O primeiro – e mais importante – está embutido num pedido do filósofo e Mestre Jesus a Deus.Ele ora dizendo: PAI, QUE TODOS SEJAM UM, PARA QUE O MUNDO CREIA.
Enfim, para o nosso melhor esclarecimento sobre esse polêmico tema, é importante buscar informações fidedignas no processo histórico do movimento ecumênico. Contudo, cabe aqui um questionamento: por que exatamente para os cristão católicos, e para os cristãos evangélicos em suas divergentes denominações, essa democracia espiritual é complexa e tantas vezes absurdamente conflitante?
Dados históricos:
O movimento ecumênico mundial cresceu muito a partir do momento em que constatou na prática, a sabedoria do que Jesus já tinha dito. Em 1910, na cidade de Edimburgo, houve uma grande assembléia missionária. Lá os destinatários da missão falaram da dificuldade que tinham em aceitar Jesus quando aqueles que O anunciavam estavam divididos. No ambiente da assembléia pesavam inconfessáveis desejos de total poder, ambigüidades, hostilidades secretas ali expostas, onde um declarava para o outro, que o Cristo da outra Igreja não era o verdadeiro. Em linguagem simples, traduzo assim o recado que a grande assembléia missionária comunicou as Igrejas: Basta! Entendam-se primeiro e depois venham juntas falar conosco porque de outro jeito fica difícil acreditar na sinceridade dos seus propósitos cristãos!
Infelizmente, às vezes sem perceber, os 'fanáticos crentes' podem se transformar em um contra testemunho poderoso, para quem os observa de fora, em acirrados e constantes conflitos, frente às suas inúmeras divisões existentes.
Atenção senhores e senhoras cristãs! O Evangelho do Mestre não merece isso!
Jesus, um divino estrategista de Deus, nunca validaria tais contendas religiosas. De fato, está tudo errado! A religião que tenta crescer combatendo as outras, faz a evangelização parecer briga de supermercado disputando clientes.
Religião democrática e ecumenismo, são indiscutivelmente tarefas gigantescas, que obviamente, se realizarão melhor quando em harmoniosa parceria. Muitas vezes nos dizem que não se pode mudar a intenção das religiões, que sempre houve guerra, injustiça, violência, que não há mesmo outro jeito de viver no mundo religioso. Contudo, entendo que Deus pacientemente espera que nos esclareçamos para compreendê-lo melhor. Eis porque acredito firmemente, que as religiões que conseguissem superar séculos de dolorosa história de rivalidades e acusações mútuas teriam uma real autoridade para dizer ao mundo que a paz, a solidariedade, e a superação do mal podem ser tarefas difíceis, mas não impossíveis. Além de serem mais fortes juntas, elas seriam um inquestionável exemplo e testemunho vivo, da força reconciliadora do amor fraterno pregado pelo Mestre Jesus.
Uma outra vantagem da proposta ecumênica, está nas qualidades e conhecimentos, que pessoas e religiões precisam desenvolver para se envolverem em um democrático e produtivo trabalho ecumênico. Não dá para ser ecumênico de verdade sem paciência, humildade, amor à verdade, alegria pelo bem que outros realizam, lealdade, talento para ouvir sem preconceito, sinceridade, espírito de serviço, e reconhecimento do valor alheio. Qualquer pessoa ou religião que desenvolva essas qualidades não estará somente mais preparada para viver o ecumenismo: terá dado em salto de qualidade tanto na direção da espiritualidade como na capacidade de desenvolver boas e construtivas relações humanas.
Temos constantemente, muito que aprender uns com os outros. Cada religião tem lá suas características especiais, suas experiências bem sucedidas. Todo ponto de vista existe a partir de um ponto de vista pessoal ou coletivo. A realidade total é melhor percebida, quando é vista dos vários pontos que a complementam. O progresso, até mesmo na ciência, depende muito do confronto de posturas diferentes. A rígida uniformidade não costuma ser criativa podendo descambar para o fanatismo.
Para quem gosta de interagir com seres humanos, o relacionamento ecumênico tem uma atração a mais, imperdível: podemos conhecer pessoas especiais, com capacidade para se tornarem companheiras, amigas, uma desejável irmandade espiritual. E não há como negar: fazer fraternalmente novos amigos-irmãos é muito mais construtivo e gratificante do que combater equivocados concorrentes religiosos...
Finalizando, afirmo que toda religião que deseja possuir o infinito, o ilimitado, ou seja, perde o freio de seus próprios desejos, e/ou quando seu desejo se encontra contrariado pelos outros, corre o risco de desenvolver uma perigosa mentalidade e postura inquisitorial.
Em um mundo plural e diversificado como o nosso, a problemática da violência deve ser combatida vigilantemente dentro das religiões, pois o caminho espiritual não é o caminho da violência presente em muitas das comunidades dos seguidores de Jesus, de Alá, de Buda e outros.
O indivíduo esclarecido reconhece que em defesa da sua fé, deve respeitar ecumenicamente a crença dos outros. Não podemos jamais nos esquecer de que sendo verdadeiramente espiritualizados, somos chamados a ser responsavelmente neste mundo filhos de Deus, ou seja, aquele que dá a vida pelo outro e não que lhe é ou pode ser causa de humilhação, sofrimento ou morte!
Conscientemente, devemos servir a Deus, amando e cuidando do próximo. De acordo com esta crença, podemos viver em harmonia com a diversidade dos nossos irmãos, pelo amor de DEUS.

RHYSHY ATMA
imagens: Internet
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