
Transplantes: Einstein chega a 1500 transplantes pelo SUS
Hospital comemora e desponta como multiplicador de conhecimento pioneiro entre profissionais de todo o país.
Dezembro de 2009 ficará marcado na história do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE) como o mês em que a instituição alcançou a marca de 1500 transplantes de órgãos realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). E esse nem é o único motivo de comemoração. Na busca para aumentar a doação de órgãos no país, os programas realizados pelo HIAE têm apresentado resultados melhores do que o esperado.
O Sistema Nacional de Transplante (SNT) subsidia, pelo SUS, mais de 90% dos transplantes realizados no país. O HIAE é, desde 2002 e por iniciativa própria, uma das instituições credenciadas para a realização dessas cirurgias.
Desde então, o Einstein tornou-se responsável pelo maior número de transplantes de fígado da América Latina. Hoje é também um dos principais transplantadores de rim no Brasil e o terceiro maior em transplantes de coração, no estado de São Paulo. “O contrato do HIAE com o SUS faz parte do Programa de Filantropia da instituição. Atingir esse número, de 1500 transplantes, demonstra o sucesso desse programa, criado para ajudar a população e dar acesso às melhores práticas cirúrgicas possíveis”, explica o dr. Ben-Hur Ferraz Neto, gerente médico do Programa Integrado de Transplante de Órgãos do HIAE. “Temos orgulho de contribuir com a sociedade brasileira em área tão nobre da medicina”, afirma o médico.
A partir do momento em que o indivíduo é encaminhado ao HIAE, por médicos de todas as regiões do país, torna-se um paciente do hospital para sempre. O atendimento é realizado desde a primeira avaliação, passando pelo tempo em que fica na lista de espera por um órgão e permanecendo por todo o acompanhamento após o transplante.
“Além disso, os resultados apresentados pelos transplantes no HIAE são mesmo diferenciados. No mínimo, 10% superiores à média em São Paulo. Isso significa que temos 10% mais pacientes transplantados vivos do que a média dos hospitais no estado”, afirma.
Ao todo, o HIAE realiza 12 mil consultas por ano, atendendo pacientes antes e depois do transplante.
Entre os pacientes do HIAE na lista de espera por órgãos - controlada pela Secretaria de Estado da Saúde - 600 esperam por um rim, enquanto 200 esperam por um fígado. Cem pessoas aguardam a chegada de pâncreas e rim (ao mesmo tempo), seis estão à espera de um pulmão e 20, de um novo coração.
De 2002 a 2009, o HIAE realizou 110 transplantes privados e 1500 pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “A demanda, pelo SUS, é muito maior, claro. Afinal, atende pessoas que, sem essa ajuda, não teriam condições de arcar com as despesas de uma cirurgia desse porte e acabariam morrendo”, explica o médico.
O problema da doação
No Brasil, a média do número de doadores de órgãos, em 2009, foi de 8,6 a cada milhão de pessoas. Em países como a Espanha, por exemplo, o número de doadores chega a 40 por cada milhão de cidadãos.
“O ideal para um país como o nosso seria de 20 doadores a cada milhão, por isso investimos em projetos nessa área. Mas felizmente os números estão crescendo. Hoje, são 18 e 23 doadores (por milhão), no estado e na cidade de São Paulo, respectivamente”, afirma o dr. Ben-Hur.
Segundo ele, além da falta de profissionalização dos transplantes no país, a conscientização por parte da sociedade é fundamental para salvar mais indivíduos e melhorar a qualidade de vida de muitas pessoas.
“É muito importante que as pessoas conversem, em casa, sobre as suas intenções em tornarem-se doadores de órgãos. É melhor que essas conversas aconteçam antes de possíveis problemas”, explica.
No Brasil, culpar exclusivamente a população pelo baixo número de doações é desconhecer a realidade dos hospitais
Geralmente, as pessoas sofrem bastante na hora de decidir se alguém da família, diagnosticado com morte encefálica, pode ser um doador.
Se o assunto tiver sido acordado previamente, fica mais fácil para os familiares entenderem a importância desse ato e liberar a doação dos órgãos, salvando algumas vidas”, conclui.
Além disso, depois da morte, podem ser doados não somente aqueles órgãos conhecidos, como coração, pulmão e rins, mas também ossos, cartilagens e córneas, por exemplo”, explica o médico.
Pela capacidade de suas instalações, o HIAE tem condições de atender a um número ainda maior de transplantes. O que faltam são doadores.
Saindo na frente: capacitação de recursos humanos
Para os profissionais do Einstein, ainda mais importante do que comemorar os 1500 transplantes realizados pelo SUS é manter as suas iniciativas pioneiras na capacitação de profissionais para o aumento da doação de órgãos no país.
Além dos transplantes em si, o HIAE tem trabalhado em diversas frentes com o objetivo de aprimorar o Sistema de Transplantes do Brasil.
Uma delas são os cursos oferecidos pela instituição para profissionais de todo o país, geralmente de forma gratuita, que apresentam as mais novas práticas voltadas para transplantes no mundo.
Uma das ações mais importantes foi a implantação do curso de Pós-Graduação Latu Sensu em Doação, Captação e Transplante de Órgãos e Tecidos, que forma coordenadores intra-hospitalares de transplantes.
O curso tem duração de um ano, é multiprofissional e visa à formação de especialistas na área. “Nosso objetivo é treinar profissionais de todo o país a conhecerem a legislação, o funcionamento do sistema, a ética que deve ser aplicada e as formas possíveis de transformar um paciente com morte encefálica em doador”, explica o Enfermeiro Tadeu Thomé, coordenador de projetos do Programa Integrado de Transplante de Órgãos do HIAE.
Iniciado em 2005, esse programa de pós-graduação já formou 88 alunos. Deles, 78% foram contemplados com bolsas integrais do Instituto Israelita de Responsabilidade Social (IIRS), da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein SBIBAE). Os outros 22% não receberam a bolsa por trabalharem em instituições com vínculos privados.
Outro curso importante voltado a profissionais de saúde de todos os estados brasileiros é o Curso de Simulação Realística em Diagnóstico de Morte Encefálica, Manutenção Hemodinâmica do Potencial Doador e Entrevista Familiar para Doação de Órgãos e Tecidos. São 16 horas de formação teórico-prática e o programa conta com robôs de última geração e atores profissionais, para simularem as práticas do dia-a-dia.
Voltado para médicos e enfermeiros recebeu, em 2009, sete turmas com 233 alunos de 20estados brasileiros. “É satisfatório saber que estamos levando os conhecimentos do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE) para todo o Brasil”, afirma Thomé.
Além de todos os cursos terem sido 100% gratuitos para os participantes, os dois últimos aconteceram, pela primeira vez, no Rio de Janeiro e no Recife (PE), fora das instalações do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE), em São Paulo. E foram realizados em parceria com o SNT.
Outra opção de treinamento oferecida pelo Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE) é o Curso de Extração e Perfusão de Múltiplos Órgãos, já realizado com cinco turmas, também de todo o país.
“Nosso objetivo realmente é levar informação e conhecimento às regiões mais distantes dos centros modernos do Brasil e ajudar a conscientizar as pessoas de todo o país”, afirma.
O curso foi ministrado para 71 profissionais indicados pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), entre médicos, cirurgiões e enfermeiros. Todos receberam bolsas do IIRS e assistiram às 12 horas de aulas no Centro de Experimentação e Treinamento em Cirurgias (CETEC), do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein (IIEP).
Mais um programa oferecido a profissionais de saúde é o Curso de Complementação Profissional em Hepatologia e Transplante de Fígado. O programa é voltado para médicos de todos os estados, que passam de 12 a 24 meses acompanhando a rotina dos pacientes de transplante de fígado do HIAE e depois voltam para suas cidades, multiplicando o conhecimento adquirido.
Além dos cursos citados acima, o HIAE ainda conta com o Treinamento em Anestesia para Transplantes e com Programas de Estágios e Visitas, oferecidos a profissionais que acompanham a rotina de transplantes da instituição. Nesses programas, o tempo de estágio pode chegar a um mês.
O HIAE está desenvolvendo ações muito importantes para o país. Além de oferecer assistência aos pacientes em todas as etapas, ainda tem a preocupação em aumentar a doação e melhorar o sistema de transplantes brasileiro. Sempre com recursos do IIRS e contando com as parcerias do SNT e da ABTO”, explica o coordenador.
Encontro Nacional das CIHDOTTs
De acordo com normas estabelecidas pelo Ministério da Saúde, cada hospital deve contar com uma Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT).
A comissão é obrigatória e responsável por viabilizar a doação de órgãos na sua instituição, conversar com as famílias e fazer as notificações necessárias.
Depois da morte, podem ser doados não somente aqueles órgãos conhecidos, como coração, pulmão e rins, mas também ossos, cartilagens e córneas, por exemplo
E como o número de doações no Brasil, embora crescente, ainda é pequeno, o HIAE tornou o seu objetivo em aumentar as doações em um evento surpreendente, o Encontro Nacional das Comissões Intra-Hospitalares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes.
Já foram realizadas duas edições: a primeira, em novembro de 2008, em São Paulo, e a segunda, em dezembro de 2009, no Rio de Janeiro. Juntas, tiveram participação de mais de 350 profissionais de todo o país. E resultados ainda mais empolgantes do que os profissionais do HIAE, organizadores do evento, poderiam imaginar.
Como fruto do primeiro encontro, foi elaborado e enviado ao SNT um documento consensual chamado “Carta de São Paulo”. Onze meses depois, em outubro de 2009, o órgão emitiu sua nova regulamentação e, para a surpresa dos participantes do evento, muitas das reivindicações da Carta foram contempladas na nova legislação.
O HIAE comemorou a efetividade do encontro e, na segunda edição, realizada na cidade do Rio de Janeiro, com o objetivo de ajudar o sistema de transplantes do estado fluminense, propôs mais uma revisão. Dessa vez, das últimas normas do SNT, na “Carta do Rio de Janeiro”.
Implantação de CIHDOTT
Outra ação do Einstein voltada para o aumento de doações e viabilização de transplantes foi o auxílio que a instituição ofereceu ao Hospital Municipal Moysés Deutsch - M’Boi Mirim, São Paulo, na implantação de sua CIHDOTT.
Contando com a comissão, o hospital passou a contar com inúmeras doações de córneas, múltiplos órgãos e até mesmo com extração de ossos para transplantes.
Com ações como essa, o HIAE, como instituição de saúde de vanguarda, faz com que a doação e o transplante de órgãos, no país, sejam cada vez mais frequentes e profissionalizados.
Projeto NCAP – Notificação e Captação
No Brasil, culpar exclusivamente a população pelo baixo número de doações é desconhecer a realidade dos hospitais. Uma das razões para o fenômeno, que impede o salvamento de mais vidas, é o fato de que muitos profissionais de saúde não notificam o SNT sobre as mortes encefálicas.
“Quando um paciente apresenta morte encefálica, é a hora de uma equipe treinada conversar com a família e transformá-lo em doador. Mas para isso é preciso que os profissionais notifiquem essa situação à Central de Transplantes, preenchendo um protocolo obrigatório, que poucos sabem da sua existência e importância", explica Thomé.
Para minimizar esse problema, o HIAE criou o Projeto NCAP (Notificação e Captação) e solicitou à Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo indicação dos hospitais que apresentavam altos índices de morte e baixos índices de doação.
Atualmente, existe um profissional contratado pelo HIAE em quatro hospitais de São Paulo – Hospital Geral de Guarulhos, Complexo Hospitalar de Mandaqui, Conjunto Hospitalar de Sorocaba e Hospital Municipal Moysés Deutsch.
Trabalham em tempo integral nesses hospitais e são responsáveis pela notificação das mortes encefálicas e pela viabilização da doação. Ou seja: conversam e ministram aulas para médicos e enfermeiros, visitam diariamente as UTIs e acompanham o dia-a-dia dos pacientes. Além disso, quando acontecem as mortes encefálicas, notificam à Central de Transplantes, avaliam o potencial doador, conversam com as famílias e recebem as equipes dos outros hospitais em busca dos órgãos doados.
“Com esse projeto, aumentamos em 55% o número de notificações das mortes encefálicas e em 117%, na média, a efetividade das doações nesses hospitais. Um deles chegou a aumentar em 180% o número de doações”, comemora Thomé, um dos coordenadores do projeto.
“Isso prova, sobretudo, que a profissionalização da doação de órgãos, que está sendo proposta com empenho pelo HIAE, traz resultados muito positivos”, afirma.
No total, essas ações citadas tiveram a participação de mais de 950 profissionais de todo o Brasil. Foram treinados e credenciados, de alguma forma, a multiplicar os conhecimentos necessários para aumentar a doação de órgãos no país e diminuir, consequentemente, a mortalidade de pacientes em lista de espera para transplantes.
Com empenho e pioneirismo, o Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE) não quer perder tempo e pretende ajudar o país a salvar vidas sempre - e cada vez mais.