
Nova intervenção cardíaca por cateterismo
Quando se fala em cirurgia cardíaca, uma das imagens que vem à cabeça é a do paciente com tórax aberto por muitas horas e médicos com bisturis em punho.
Realmente, esse é um método bastante utilizado em pacientes com problemas graves na valva aórtica. Mas, o que pode ser feito quando o paciente está frágil e pode não resistir à cirurgia tradicional?
Uma opção disponível seria a valvoplastia, que consiste apenas na dilatação da valva obstruída por meio de cateter balão. Em geral, a valva volta a ficar obstruída após quatro a seis meses, perdendo o efeito do tratamento.
Felizmente, foi criada uma nova forma de tratamento do problema: o implante percutâneo da valva aórtica. Nessa nova técnica, após a dilatação da valva é colocada uma valva artificial feita de pericárdio bovino e que se encontra no interior de um stent, feito de uma liga de metal chamada Nitinol.
O procedimento é minimamente invasivo e indicado nos casos de pacientes com estenose aórtica crítica – estreitamento da valva aórtica, responsável pelo controle do fluxo de sangue ejetado pelo coração. Com menor fluxo de sangue, os pacientes apresentam sintomas como desmaios, angina e insuficiência cardíaca. Os maiores beneficiados são pacientes idosos e aqueles considerados de alto risco para as cirurgias convencionais, por serem propensos a complicações pós-operatórias.
Apesar de o problema ser grave, o novo tratamento é bem mais simples que a cirurgia tradicional, sendo realizado fora do centro cirúrgico, em um laboratório de hemodinâmica onde são realizados os cateterismos cardíacos. A valva artificial segue por meio de um cateter introduzido na virilha do paciente. O cateter é conduzido, através dos vasos sanguíneos, até o coração.
Inovação
O Einstein foi o primeiro hospital da América Latina a contar com essa tecnologia.
Os dois primeiros implantes percutâneos da valva aórtica foram realizados em 29 de janeiro de 2008, pela Equipe de Cardiologia Intervencionista do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE), liderada pelo Dr. Marco Antonio Perin, acompanhada pelo Dr. Eberhard Grube, referência mundial nesse procedimento e que recentemente passou a integrar a equipe de pesquisadores da instituição.
Os procedimentos foram bem sucedidos e os pacientes fazem parte de um projeto de pesquisa desenvolvido no Einstein com apoio do seu Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein (IIEP).
O Einstein foi o primeiro hospital da América Latina a contar com essa tecnologia.
A tecnologia foi desenvolvida e já é comercializada na Europa como alternativa para os casos de grande risco cirúrgico. O produto obteve o registro na Anvisa para comercialização no Brasil o que permite que a técnica esteja disponível como opção de tratamento.
Vantagens para o paciente
Por ser um procedimento minimamente invasivo – com cortes que variam de 0,5 a 1,5 centímetros – é menos agressivo. O procedimento é realizado em cerca de uma hora, com o paciente sedado. O paciente recebe alta em três ou quatro dias.
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