

Além do envelhecimento diária, existe o que se chama envelhecer de forma fisiológica ou patológica . O que significa isso? O envelhecimento fisiológico é aquele que depende da nossa genética e por enquanto ainda é imutável, ou seja, aos 15 ou 20 anos de idade, você normalmente tem o corpo que seus genes determinaram, mas aos 40 anos você tem o corpo que merece. Daí para frente, vai depender de suas escolhas em relação aos hábitos de vida como aquilo que você come, se faz ou não exercícios físicos, como administra seu equilíbrio emocional e se cuida de sua saúde de forma preventiva, usando o que a medicina moderna tem a oferecer. O envelhecimento patológico ocorre a partir do momento em que as pessoas passam a aceitar que existem doenças próprias da velhice e se comportam de maneira passiva em relação à sua saúde.
A partir do que foi colocado surge o conceito de idade cronológica e idade biológica. Qual a diferença? A idade cronológica não pode ser modificada e está registrada em seu documento de identidade enquanto que a idade biológica se refere ao estado de conservação de seu organismo. Portanto, essa idade pode ser mudada e/ou retardada desde que você passe a se alimentar de forma equilibrada, evitando gorduras saturadas e carboidratos refinados (de alto índice glicêmico), faça atividade física regular, pelo menos três vezes por semana, associando exercícios aeróbicos com musculação, cuide de seu bem-estar emocional e procure o auxílio da medicina preventiva.
É fácil e até intuitivo aceitar que se deve comer bem e praticar exercícios, mas e o emocional, o que tem a ver com o envelhecimento?
Hoje em dia se sabe que o stress crônico, muito comum na vida das pessoas, leva a uma ativação exagerada da nossa glândula supra renal que produz excesso do hormônio cortisol. Esse hormônio favorece o ganho de peso, principalmente acúmulo de gordura abdominal e acelera o processo de envelhecimento. Quem é mais jovem? Uma pessoa de 48anos ou uma de 70 anos?
A resposta correta é: depende da idade biológica, ou seja, é possível uma pessoa de 70 anos ter uma idade biológica de 55 anos e vice-versa. São vários os fatores que levam ao envelhecimento patológico e os principais são: dieta incorreta, stress, sedentarismo, estilo de vida inapropriado, desequilíbrio hormonal, desequilíbrio na bioquímica cerebral e formação excessiva de radicais livres.
Que desequilíbrio hormonal é esse? Na realidade, os nossos hormônios não caem porque envelhecemos, mas sim envelhecemos porque os hormônios caem. Daí a importância de se fazer uma avaliação clínica e laboratorial periódica minuciosa com o objetivo de se procurar ajuda médica através de uma modulação hormonal feita de forma criteriosa. Invista na sua idade biológica, pois não basta acrescentar anos à sua vida, mas sim vida a seus anos.
Engana-se quem pensa que freqüentar a academia seja coisa somente para jovens. A cada dia surgem mais e mais pesquisas reforçando o leque de benefícios da atividade física na terceira idade.
Uma simples caminhada já faz grande diferença, podendo ajudar a superar pequenos desafios cotidianos como levantar-se de uma cadeira. Atividades de rotina, como dedicar-se à jardinagem ou uma tranqüila ida à feira também dão sua parcela de contribuição. Os cientistas já constataram que a atividade física também melhora o sistema imunológico, aumenta a força e a resistência.
Uma rotina mais movimentada também é essencial para manter a cabeça em forma, evitando os esquecimentos e as confusões tão comuns com o passar do tempo. Um estudo americano comparou dois grupos de idosos, um de sedentários e o outro que se exercitava regularmente. Ao final de três meses a turma que se exercitou teve um aumento na capacidade de resolver várias tarefas e uma melhora na concentração.
Para tirar todo o proveito da malhação vale investir, ainda, na musculação, que aumenta a força muscular, e nos alongamentos. Isso pode ajudar a combater o declínio do vigor que chega a 30% entre os 50 e 70 anos. Nas mulheres, principalmente, as práticas que desafiam a gravidade são ainda mais importantes: isso porque, com as mudanças hormonais iniciadas na menopausa, elas sofrem um grande desgaste ósseo que pode levar à osteoporose.
Saber envelhecer é mesmo uma arte. Ainda mais numa sociedade que valoriza a eterna juventude, como se a velhice fosse algo a temer ou esconder. Não à toa assistimos a essa profusão de tratamentos e técnicas antiidade. Some-se a isso as dificuldades típicas da passagem dos anos e, de fato, para muitos, esse processo pode se tornar difícil. O primeiro passo é reconhecer as dificuldades do envelhecimento.
Esta é uma etapa de grandes transformações, em que a pessoa começa a sentir desgastes físicos, a ter limitações que antes não tinha, a sofrer perdas - no trabalho, de oportunidades, de pessoas queridas. Os filhos saem de casa. É o último estágio. Por isso é tão difícil aceitar a chegada dessa etapa. Mas de nada adianta querer segurar o processo à força, como se isso fosse possível.
O que pode ser feito sim é preparar-se para que ele seja o mais tranqüilo possível. Hoje, o envelhecimento saudável é um fator que engloba várias funções que culminam com a expectativa de vida alongada. Ele impõe não só boa condição física e mental, como também a inclusão social que lhe permita desempenhar tais funções.
É preciso investir na saúde do corpo, adotando bons hábitos desde cedo para preservar, ao máximo, as funções do organismo. Isso inclui exercícios físicos regulares, que melhoram a qualidade de vida. Após os trinta anos, o corpo humano tende a perder 10% da massa muscular a cada década e a única forma de evitar isso é fazer uso constante dos músculos.
Tão importante quanto preparar o corpo é preparar a cabeça. A participação em grupos é muito importante. Além de inserir-se em equipes de terceira idade, vale fazer cursos, engajar-se em atividades dos mais diversos tipos e se dedicar ao voluntariado. O importante é não deixar a mente envelhecer. A espiritualidade também pode fazer muita diferença na hora de encarar os cabelos brancos. É a hora de devolver para a sociedade tudo o que recebeu. Acima de tudo, é preciso ter objetivos de vida. A terceira idade está conseguindo um espaço em todas as atividades, do trabalho ao lazer. É possível envelhecer com dignidade. Envelhecer é obrigatório, crescer é opcional.
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