
AVC: diagnóstico rápido é fundamental
O Acidente Vascular Cerebral (AVC), popularmente conhecido como derrame, é a terceira causa de morte no mundo e a segunda no Brasil, perdendo apenas para o infarto agudo do miocárdio, de acordo com a Enfermeira Tânia Oliveira Lopes, do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE).
Durante o inverno, há uma tendência para aumento dos casos. Isso acontece porque, no frio, os vasos sanguíneos se contraem e a circulação pode ficar comprometida. Além da vasoconstrição, os alimentos mais gordurosos e calóricos – consumidos principalmente nos dias frios – contribuem para o espessamento do sangue e entupimento das veias, dificultando a circulação sanguínea. Uma combinação perigosa que aumenta o risco de AVC.
O AVC tem a mesma urgência de atendimento que o infarto
Apesar dos números alarmantes, os medicamentos e tratamentos estão cada vez mais eficientes. E se o diagnóstico e o primeiro atendimento forem feitos com rapidez, as chances de o paciente sair ileso são grandes. Os especialistas recomendam prestar atenção aos sintomas. “O AVC tem a mesma urgência de atendimento que o infarto”, alerta a Enfermeira Tânia.
Como ocorre
O Acidente Vascular Cerebral pode ser isquêmico ou hemorrágico. No caso do AVC isquêmico, há falta de circulação sanguínea numa área do cérebro. Uma ou mais artérias são obstruídas por um coágulo ou placas de gordura que se aglomeraram ao longo da vida. Essas placas se rompem e as partículas podem causar uma inflamação local. É mais frequente em idosos, a partir dos 60 anos, que tenham hipertensão arterial, diabetes, colesterol elevado e nos fumantes.
Já o hemorrágico, é causado pelo rompimento de uma artéria ou vaso sanguíneo. Os principais fatores são a hipertensão arterial e aneurismas cerebrais (espécie de bexiga que se forma ao redor de artérias enfraquecidas). Pode ocorrer em pessoas mais jovens e nos casos de traumatismo craniano. Não está relacionado necessariamente aos fatores de risco.
Fatores de risco
É possível manter todos os fatores de risco para o AVC sob controle, com exceção da idade e da herança genética. A hipertensão arterial é a principal causa de AVC. “Os hipertensos devem tomar cuidado porque há casos em que a pressão é tão elevada que pode romper um vaso e causar AVC hemorrágico”, explica Tânia. Outros vilões são o diabetes e o tabagismo. A obesidade, o sedentarismo e o consumo excessivo de álcool também estão na lista de perigo.
Ao manter uma alimentação balanceada e hábitos saudáveis como uma caminhada diária, a cessação do tabagismo e do consumo de álcool, já é possível diminuir o risco de AVC. Para completar a prevenção é preciso controlar rigorosamente a hipertensão arterial e o nível de colesterol.
Atenção aos sinais
Quanto mais rápido for o diagnóstico de AVC, maiores são as chances de amenizar as sequelas, uma vez que não é possível interromper o derrame.
Os principais sintomas são:
Fraqueza de um lado do corpo
Dificuldade súbita em falar, andar ou na visão
Dor de cabeça intensa
Além desses sintomas, outros podem ocorrer devido à área do cérebro que foi atingida. Alguns são até imperceptíveis ou passageiros como pequenas alterações na fala ou leve dormência de um braço. Mas, independentemente da intensidade e do tempo que estiveram presentes, só a avaliação médica pode descartar a suspeita de AVC.
Atendimento diferenciado
O Hospital Israelita Albert Einstein é referência no diagnóstico e tratamento de AVC. Um dos procedimentos preconizados internacionalmente é a monitoração do tempo entre a chegada do paciente à Unidade de Primeiro Atendimento e a realização da tomografia computadorizada, que indica ao médico o tratamento mais adequado para o AVC.
“Nosso tempo é de, no máximo, 45 minutos. Trata-se de um intervalo que segue os padrões mundiais”, explica a enfermeira Tânia. O paciente que recebe atendimento médico até 3 horas depois do início dos sintomas pode ter as sequelas amenizadas. Para os que não buscaram atendimento nesse período, os riscos são maiores.
Além do atendimento diferenciado e ágil, o hospital disponibiliza uma equipe de neurologia 24 horas por dia, sete dias por semana. Também conta com profissionais especializados para o atendimento de pacientes neurológicos, que são acionados por meio de um código, em casos de suspeita de AVC na Unidade de Primeiro Atendimento. Quando há sequelas, uma equipe de fisioterapeutas e fonoaudiólogos está treinada para atuar na reabilitação dos pacientes
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