
Choque contra a dor
Imagine a sensação de uma pessoa que sofre de tendinite crônica ao levantar o braço para alcançar um objeto. Há quem chegue a limitar movimentos para não sentir o incômodo. Conviver com uma dor crônica não é nada simples, e a medicina tem buscado alternativas para combater essa sensação.
Uma dessas terapias de combate à dor está sendo bastante aplicada na Europa e nos Estados Unidos e utiliza princípios da física para acabar de vez com o problema. Trata-se da terapia por ondas de choque, que chegou em dezembro de 2008 ao Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE). “O objetivo desse tratamento é terminar com a inflamação e, por consequência, com a dor de forma definitiva”, explica o dr. Paulo Roberto Dias dos Santos, ortopedista e responsável pela terapia por ondas de choque no HIAE.
Utilizada inicialmente no tratamento de cálculos renais, a terapia por ondas de choque mostrou sua eficácia para eliminar lesões crônicas do sistema musculoesquelético há mais de uma década. É indicada principalmente para tratar tendinite patelar, de ombro, de cotovelo e de calcanhar, inflamação da planta do pé (fascite plantar), bursite no quadril (troncatérica) e pseudoatrose, que é a falta de união óssea após fratura ou cirurgia ortopédica, além dos casos de dificuldade na recuperação de fraturas.
O tratamento utiliza ondas acústicas de alta energia para atingir o local do corpo em que está o problema. Em geral, apenas uma aplicação é suficiente. É uma técnica não invasiva, realizada com anestesia local, e o procedimento dura menos de 30 minutos.
O aparelho emite uma onda com energia e intensidade variáveis – de acordo com a extensão e a gravidade do problema –, enviada diretamente à região a ser tratada: pés, ombros, quadril ou joelhos, por exemplo. A onda atravessa a pele e os músculos e chega aos ossos. Dessa forma, provoca estímulos que eliminam a dor, os pontos de calcificação ou os de degeneração.
O tratamento utiliza ondas acústicas de alta energia para atingir o local do corpo em que está o problema.
Ao estimular a região, as ondas podem causar a fragmentação de calcificações em tendões ou partes moles. Também têm ação analgésica, estimulando a produção de enzimas que aliviam a dor. Uma das ações mais importantes dessa terapia é a formação de novos vasos sanguíneos, que melhora a circulação nas regiões afetadas. “Isso aumenta a irrigação sanguínea, o que acelera o processo de melhora”, explica o dr. Paulo Roberto.
Casos de dores crônicas, há mais de três meses sem melhora com medicamentos ou fisioterapia, podem ter a indicação para o tratamento por ondas de choque.
Entretanto, a avaliação do ortopedista é fundamental em cada caso para o diagnóstico e a confirmação de que a terapia é adequada. “A indicação clínica correta é responsável por boa parte do sucesso do tratamento”, enfatiza o ortopedista.
Nem todos, porém, podem ser tratados com essa terapia, que é contraindicada a gestantes e crianças e a quem toma anticoagulante, pois há risco de sangramento.
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