segunda-feira, 31 de maio de 2010

@ SAÚDE & QUALIDADE DE VIDA @ _ Seus movimentos 3D


Seus movimentos 3D
Caminhar é um ato – muitas vezes – mecânico. É possível falar ao celular enquanto se caminha, conversa com um amigo, olha as vitrines ou presta atenção nos carros. Parece simples, mas na verdade um passo envolve várias partes do corpo: braços, pernas, tronco, cabeça, músculos e sistema nervoso central.
Para quem sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) e ficou com sequelas que impossibilitam alguns movimentos, a caminhada pode ser bem mais complexa do que parece. Para desvendar essas barreiras e trazer mais qualidade de vida àqueles com dificuldades motoras, pesquisadores do mundo todo estudam os movimentos do corpo durante a locomoção. Após avaliar as melhores práticas, o Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE) inaugurou, em outubro de 2008, o Laboratório de Estudo do Movimento Einstein (LEME), o primeiro desse tipo em hospital privado no Brasil.
Os dados levantados no laboratório são importantes para garantir o tratamento eficaz de pessoas que apresentam dificuldades geradas por distúrbios neuromusculares, como paralisia cerebral, acidente vascular cerebral (AVC) e traumatismo crânio-encefálico, por exemplo. O diferencial do laboratório é seu trabalho inicial: a análise de marcha. “As características de marcha são medidas; as anormalidades, identificadas; as causas, diagnosticadas; e os tratamentos, propostos. O estudo identifica os mecanismos de distúrbio de marcha que não podem ser documentados pelo exame físico e pela análise clínica”, explica o dr. Marcelo Saad, médico fisiatra do Centro de Reabilitação do HIAE.
E como isso acontece? Com o uso dos equipamentos do laboratório, é possível visualizar, de forma exata, cada ação e reação do corpo durante a caminhada. Só para se ter uma ideia: no exame é feita a filmagem do movimento com câmeras de infravermelho que captam cada movimento para compor imagens do paciente em três dimensões. São essas imagens que reproduzirão o movimento virtualmente e mostrarão aos especialistas onde estão as dificuldades na locomoção.
Análise minuciosa
O LEME faz parte do Centro de Reabilitação do HIAE e ocupa uma área de 150 metros quadrados na Unidade Morumbi. O laboratório iniciou suas atividades com os exames de marcha e a próxima etapa é fazer a análise de cada movimento do corpo. Em uma pista de 10 metros, os pacientes caminham com eletrodos conectados à pele. O sistema utilizado para capturar os movimentos é chamado Vicon, um aparato complexo que utiliza princípios de física e de computação gráfica. O estudo é realizado em três áreas:
Cinemática
Estudo do movimento em si. As dez câmeras de vídeo enviam as imagens ao computador, que reconstrói um modelo tridimensional do movimento do paciente.
Cinética
Análise das forças que geram o movimento. Duas plataformas no solo enviam ao mesmo computador informações das forças de alavanca que as articulações do paciente fazem ao pisar sobre as mesmas.
Eletromiografia
Estudo das ações musculares durante o movimento. Eletrodos na pele mostram o instante em que cada músculo é ativado e desativado, o que deve acontecer para gerar um movimento harmônico.
Esses dados são reunidos e analisados por médicos, fisioterapeutas e um engenheiro mecânico – todos especialistas com amplo conhecimento sobre biomecânica, marcha normal e marcha patológica. A pessoa precisa dar dez passos consecutivos – com ou sem assistência –, ter no mínimo 4 anos de idade, ser capaz de seguir ordens simples e tolerar a colocação de marcadores (pequenas esferas colocadas em pontos do corpo) que, junto com os eletrodos, são colocadas como adesivos na pele e permitem que os movimentos sejam reproduzidos em 3D no computador.
Benefícios
Além de esclarecer a causa da alteração da marcha, os dados avaliados no LEME demonstram a severidade ou a extensão da lesão e dão, aos especialistas, maior embasamento para sugerir tratamentos diferenciados e monitorar o progresso das terapias realizadas.
“Quando comparada à análise visual realizada em consultas, a avaliação tridimensional permite que o médico faça o diagnóstico de forma mais precisa. O objetivo do exame é ajudar na decisão terapêutica para pacientes com problemas complexos de marcha”, explica o dr. Saad. “Com a ajuda da tecnologia do LEME, os tratamentos decididos com base em dados objetivos podem gerar resultados muito melhores.”
O Laboratório de Estudo do Movimento funciona diariamente e tem capacidade para atender até quatro pacientes por dia, devido à complexidade do exame. Os pacientes são encaminhados por seus médicos quando estes precisam de mais informações sobre o problema de marcha.

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