segunda-feira, 31 de maio de 2010

@ SAÚDE & QUALIDADE DE VIDA @ _Pesquisas em Parkinson


Pesquisas em Parkinson
De forma gradativa, os tremores involuntários nas pernas ou nos braços começam a se intensificar. O andar torna-se cada vez mais lento e os movimentos, rígidos. Abotoar a camisa pode ser uma tarefa bem trabalhosa.
Pessoas com esses sintomas apresentam grau avançado da doença de Parkinson, a segunda das enfermidades neurológicas mais freqüentes e que, só no Brasil, atinge aproximadamente 220 mil pessoas.
O grande número de pacientes concentra-se na faixa dos 60 aos 65 anos, mas o diagnóstico pode ser feito bem antes, como é o caso do ator canadense Michael J. Fox, que soube que era portador aos 30 anos, em 1991. Conhecido por participar da trilogia “De Volta para o Futuro”, o ator deixou o cinema e a TV sete anos depois de receber o diagnóstico, quando o revelou à imprensa. Agora, dedica-se a divulgar informações sobre o problema na Michael J. Fox Foundation for Parkinson’s Research.
Embora ainda não se possa falar em cura quando o assunto é Parkinson, alternativas e descobertas recentes trazem mais qualidade de vida aos pacientes. “Com o avançar das pesquisas, estamos com boas possibilidades de melhora”, afirma o dr. Luiz Augusto Franco de Andrade, coordenador científico dos projetos de pesquisa em Parkinson do Instituto do Cérebro, do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein (IIEP).
Primeiros sinais
A degeneração celular que provoca os sintomas de Parkinson ocorre em uma região do cérebro chamada substância negra. Ali é processada a dopamina, neurotransmissor responsável por transportar os estímulos que garantem os movimentos ao corpo todo. Nos portadores de Parkinson, a quantidade de dopamina diminui, o que afeta diretamente os movimentos.
Por se tratar de uma doença degenerativa cerebral, os sintomas se iniciam de forma sutil e lenta e progridem com o passar do tempo. Tremores, rigidez muscular e lentidão de movimentos, dificuldade para executar de modo rápido tarefas repetitivas, sensação de aumento da fadiga, alterações posturais, na fala, na escrita e na deglutição podem se manifestar individualmente ou de forma combinada, tanto no início da doença quanto ao longo dos anos. Quando não há tratamento ou diagnóstico, os sintomas tendem a piorar com o progresso da doença.
Diagnóstico: essencialmente clínico
Exames como ressonância magnética, tomografia ou eletroencefalograma não são capazes de comprovar um caso de Parkinson. “Não há marcadores biológicos para o problema. O diagnóstico é absolutamente clínico”, afirma o dr. Franco de Andrade.
Até 20% dos pacientes têm aspectos genéticos, mas isso não é uma regra
Quando há familiares de primeiro grau – pais ou irmãos – que apresentaram a doença, existe a possibilidade de um quadro familiar. “Até 20% dos pacientes têm aspectos genéticos, mas isso não é uma regra”, ressalta o neurologista. E nem toda doença genética é familiar; portanto, cada paciente que apresenta os sintomas é avaliado de forma individualizada. Isso porque os sintomas são os mesmos para um grupo de doenças degenerativas do sistema nervoso central, chamadas síndromes parkinsonianas. Há casos em que é necessário que o neurologista observe o paciente por um longo período – cuja duração é variável -para estabelecer o diagnóstico preciso.
Tratamento multidisciplinar
O objetivo dos medicamentos é garantir a melhora na qualidade de vida dos pacientes. A principal medicação é a levodopa, que é precursora da dopamina. O cérebro capta do sangue essa substância e a transforma em dopamina. Também é importante o grupo de agonistas dopaminérgicos, substâncias sintéticas que funcionam no organismo como se fossem a própria dopamina produzida no cérebro. Com a progressão dos sintomas, a dose da medicação é aumentada para garantir os efeitos.
Pessoas que apresentem movimentos involuntários insistentes são as maiores candidatas à cirurgia
Existe a possibilidade de serem realizadas cirurgias, mas para casos específicos, como em pacientes que, embora usem a levodopa, apresentam sintomas anormais causados pela substância. “Por exemplo, numa hora está se sentindo bem, na outra não. Pessoas que apresentem movimentos involuntários insistentes são as maiores candidatas à cirurgia, indicada para menos de 5% dos pacientes”, conta o dr. Franco.
Além dos medicamentos, é preciso investir na reabilitação. Para isso, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogos vão propor dicas para que eles aprendam a lidar com suas limitações.
Pesquisas: resultados promissores
O Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein concentra várias pesquisas em Parkinson. As quatro principais frentes se ocupam de estudos genéticos, imagens moleculares, ressonância magnética funcional e cirurgia de DBS (Deep Brain Stimulation). De acordo com o dr. Franco de Andrade, quanto mais avançam as pesquisas, mais os resultados se mostram promissores. “Essas frentes de pesquisa começaram em tempos diferentes. Agora iniciamos o cruzamento de dados e estamos satisfeitos com as possibilidades de melhora para os pacientes”, avalia.
Estudos genéticos
Com pouco mais de 120 pacientes estudados, essa linha de pesquisa tem por objetivo encontrar nos genes indícios da doença que possam ajudar no diagnóstico. A equipe do Einstein tem publicado diversos trabalhos e estudos científicos em revistas internacionais, como a Movement Disorders, específica sobre Parkinson.
Imagens moleculares
Analisam os pacientes do ponto de vista neuropsicológico. Esses estudos permitem estudar o transportador de dopamina nos pacientes e podem ajudar no diagnóstico precoce da doença.
Ressonância magnética funcional
Com aproximadamente 60 pacientes estudados, os pesquisadores podem identificar que áreas do cérebro correspondem a determinados movimentos. Isso possibilita mapear as atividades cerebrais dos portadores de Parkinson, além de colaborar com o estudo da linguagem, uma das funções que se debilitam com o avançar do problema.
Cirurgia de DBS (Deep Brain Stimulation)
Como se houvesse um marcapasso implantado no cérebro, o objetivo é que os eletrodos controlem as regiões que ocasionam os tremores.

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