segunda-feira, 31 de maio de 2010

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Engenharia genética no combate à artrite
Os pacientes que sofrem com as doenças auto-imunes, provocadas por reações do sistema imunológico contra o próprio organismo, têm à disposição novas formas de tratamento. É a terapia biológica, medicamento obtido por meio da engenharia genética.
"Ela reproduz os efeitos de substâncias já existentes em nosso corpo, fabricados pelo sistema imune, e atua diretamente no processo inflamatório da doença", explica o professor dr. José Goldenberg, reumatologista do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE).
Artrite reumatoide e psoriática, espondilite anquilosante e lúpus são as doenças que podem ser tratadas com essa terapia. "Essa é uma boa opção para os pacientes que já utilizaram todas as alternativas para o seu tratamento sem obter resultado satisfatório e evoluíram para lesões ou destruição de suas articulações", orienta dr. Goldenberg.
Os medicamentos biológicos já disponíveis bloqueiam as proteínas do sistema imunológico - uma delas chamada fator de necrose tumoral (TNF, na sigla em inglês) e a outra, a interleucina IL-1, responsável por grande parte da dor e inflamação das articulações, afetadas pela doença, que podem levar a deformidades. "Essas proteínas funcionam como gasolina no fogo" compara o médico. "O medicamento da terapia biológica é a ‘chave' que abre o ‘cadeado', rompendo a mesma. Com isso, conseguimos controlar os sinais e sintomas decorrentes da inflamação e melhorar significativamente a capacidade funcional e qualidade de vida do paciente", completa.
Tratamento da artrite reumatoide
A artrite reumatoide é uma doença inflamatória crônica e auto-imune, que acomete o tecido sinovial das articulações. A doença pode atingir cartilagens, ligamentos e ossos, causando sua destruição. No Brasil, 1,2 milhões de pessoas sofrem de artrite, que afeta três vezes mais mulheres do que homens e provoca deformidades capazes de imobilizar.
Cerca de 50% dos pacientes, após 10 anos do início da doença, apresentam-se incapazes de exercer trabalho em tempo integral. Se essas estatísticas são assustadoras, os números de pacientes beneficiados pela terapia biológica são bem mais animadores. Os novos medicamentos têm conseguido controlar os avanços da doença nos casos em que o paciente não responde ao tratamento convencional, o que corresponde a aproximadamente 5% dos casos, conhecidos como artrite reumatoide refratária.
A artrite reumatoide é uma doença inflamatória crônica e auto-imune, que acomete as articulações e pode atingir cartilagens, ligamentos e ossos
A literatura médica aponta um índice de melhora entre 70% a 80% dos tratamentos à base da terapia biológica e, em muitos casos, há reparação da cartilagem, retardo da progressão da doença, melhora na capacidade funcional da articulação e ganho de qualidade de vida.
De acordo com dr. Goldenberg, antes da utilização dos medicamentos biológicos, os pacientes devem ser submetidos e avaliados por protocolos internacionais rigorosos e indicações precisas, validadas pela American College of Rheumatology (ACR) e pelo European League Against Rheumatism (EULAR), para o tratamento da artrite moderada ou grave que não respondeu ao tratamento convencional. "É importante ressaltar que, em geral, os biológicos são medicamentos administrados em conjunto com outros remédios de uso contínuo , como metotrexato e entre outros”, orienta o especialista.
No Einstein
Desde 2001, o Hospital Israelita Albert Einstein possui um centro de infusão para o tratamento de doenças auto-imunes, incluindo as reumáticas, por meio da terapia biológica. São mais de 60 pacientes com doenças como artrite reumatoide e psoriática, espondilite anquilosante e lúpus, entre outras. Os casos têm sido acompanhados segundo protocolos internacionais e os resultados iniciais têm sido tabulados, sendo alguns já apresentados nos congressos nacionais e internacionais da especialidade.
O índice de resposta desses pacientes ao tratamento é bastante positivo. Na maioria dos casos, a doença tem seu desenvolvimento retardado e os pacientes recuperam a capacidade de movimentos.

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